Entre memes e corridas com Kairo Mototáxi

Popularmente conhecido como Kairo Mototáxi, o amapaense Kairo Ribeiro também é ator, poeta e estudante de direito. Confira a entrevista gentilmente cedida durante o intervalo de suas corridas na capital amapaense.


 

ANM: Quando começou a trabalhar como mototaxista?

Kairo: Já havia trabalhado como mototáxi na época que tinha muito clandestino na cidade, depois passei um tempo trabalhando em empresa privada até que precisei arrumar um trabalho onde pudesse trabalhar e estudar, por esse motivo, há três anos,  decidi me tornar mototaxista novamente, só que legalizado, tudo regularizado pela CTMAC. Então, contabilizando tudo, faz cinco anos que trabalho como mototáxi.

 

ANM: Como surgiu a ideia de agregar os memes na sua profissão?

Kairo: A ideia de fazer os memes veio da adversidade. Eu acho que a palavra pra esse ano e pra todos os anos é resiliência, que é a capacidade que o ser humano tem de se re-transformar, se reinventar. Então por esse motivo eu sempre gostei muito de redes sociais, Facebook, Twitter, Instagram e o que eu percebi pra esse tempo agora é que a febre são os memes, os vídeos curtos que trabalham com uma intensidade muito maior com os jovens, que são o público que eu quero abordar.

Eu pensei “Por que que eu não posso usar os memes, brincar um pouco e usar isso pra fazer uma propaganda, colocar em evidência o meu trabalho?”. Então, essa ideia dos memes surgiu daí. É claro que pra isso, pra chegar onde estou, tive que estudar um pouco, pesquisar.

 

ANM: E as redes sociais realmente ajudam no seu trabalho?

Kairo: Eu acho que as redes sociais hoje são a televisão e o rádio de anteriormente. Agora você consegue vender e crescer muito mais nas redes sociais do que fazendo um comercial de televisão, um comercial no rádio, não desvalorizando isso, mas a tendência é evoluir, assim como antigamente a gente assistia VHS e depois vieram os DVD’S e agora a Netflix. Então, eu acho que sim, as redes sociais me ajudaram muito e continuam me ajudando, os memes fizeram de mim o mototáxi mais conhecido daqui do estado e com isso eu não preciso mais rodar, ficar no sol quente, procurando cliente. Estamos em janeiro e eu já tenho o mês de fevereiro e março praticamente lotado da agenda. Então imagina, isso pra um mototáxi é a revolução, é algo extraordinário você com um celular e uma conta no Facebook conseguir mudar sua vida financeira e emocional, porque isso mexe com a sua auto-estima também, eu me sinto melhor, mais bonito, mais vivo. Só que pra que você chegue nesse nível você tem que estudar, saber o que você tá falando e saber com quem quer falar. Partindo disso você consegue chegar em qualquer lugar.

 

ANM: Sobre o título de “O melhor de Macapá”, como isso surgiu?

Kairo: Sobre o que eu me intitulo, “O melhor de Macapá”, “the best”, eu criei isso não no sentido de dizer que eu sou melhor do que os outros ou que eu seja mais do que alguém. A ideia é comunicar que o “Kairo mototáxi faz o seu melhor para o cliente”. Então nada mais justo que eu me auto intitular como o melhor, assim como tem outras empresas que dizem “o melhor hambúrguer”, “a melhor coxinha”, “o melhor taxista”. Eu acho que é você acreditar no seu potencial e acreditar naquilo que você faz pro seu cliente. Quando você se doa de total qualidade, de total maneira, você acaba sendo o melhor pra eles.

 

ANM: E os projetos paralelos de ator e poeta?

Kairo: Isso aí é uma paixão que eu tenho desde a adolescência, de estudar o teatro. Eu gosto muito mais do teatro que da televisão e acredito que a literatura pode mudar o mundo. Embarcando nesse viés de que a literatura pode mudar o mundo, eu acho que nada mais justo do que eu escrever e fazer alguma coisa pra contribuir. Então hoje eu escrevo poemas, escrevo crônicas, escrevo as histórias que eu vivo na rua também como Kairo Mototáxi. Em relação ao trabalho de ator, já tenho alguns trabalhos, algumas peças que já fiz, já fui pra Bahia apresentar espetáculos de teatros mas agora no momento eu não estou porque como estou na faculdade e acredito que o ser humano tem que focar naquilo que ele quer, to focado no meu curso embora eu ame, seja apaixonado por teatro. Mas no momento, ainda tá um pouco adormecido o ator que existe em mim.

ANM: Quando terminar a faculdade de direito, ainda vai atuar como mototáxi?

Kairo: Eu acho que depois que me formar diminua um pouco. Talvez eu saia num domingo, num sábado, pra reviver esses momentos. Mas uma coisa que eu tenho comigo é que eu não vou vender a minha moto depois que eu me formar. Vou deixar ela lá em casa, o dia que eu quiser sair pra rodar, pra conhecer novas pessoas, vou rodar sim, não vou abandonar não.


ANM: Como você lida com os meios de transporte alternativos?

Kairo: Existe mercado pra todo mundo. Existe mercado pro taxista, mercado pro Uber, pro Yet Go, pro Mototáxi. Agora, claro, a gente precisa perceber também que quem oferece o melhor serviço vai ganhar mais e vai ser melhor visto. 

Nós estamos vivendo uma das eras mais rápidas do mundo. Antigamente você conseguia ler livros e livros e agora não, você consegue ler só um texto pequeno de 140 caracteres que é o que o twitter tá aí nos colocando. A ideia é você evoluir junto com o Uber,  por exemplo, eu comecei a oferecer um pirulito pros meus clientes, ofereço wi-fi pros meus clientes, coloco um capacete cheiroso, confortável. A ideia é você fazer do seu serviço, do seu instrumento de trabalho, o melhor para o seu cliente, aí não precisa se preocupar com concorrência, com nada. Se você coloca pro seu cliente o melhor, ele vai escolher você, sempre.


 

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